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POLÊMICA

Ofensa verbal de Pedro Kemp contra Karla Cânepa foi motivada por distribuição orçamentária do PT-MS

Em vídeo divulgado na quarta-feira pelo irmão de Karla Cânepa, Pedro Kemp aparece sendo segurado por assessores e gritando com a candidata à vereadora
29/10/2020 11:36 - Gabrielle Tavares


Um vídeo com o candidato à prefeitura de Campo Grande Pedro Kemp (PT) foi divulgado na última quarta-feira (28) e gerou polêmica. Kemp aparece gritando com a candidata a vereadora Karla Cânepa (PT), por desavenças em relação a distribuição do fundo partidário.

A motivação do conflito foi a divisão entre da verba do Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul enviada aos candidatos a vereadores de Campo Grande.  

“Ele [Pedro Kemp] exigiu e tentou forçá-la a excluir do grupo de whatsapp dos candidatos a vereadores do Partido dos Trabalhadores as informações divulgadas pela transparência do Tribunal Superior Eleitoral com os valores do fundo partidário, algo em torno de R$ 500 mil, que favorecem apenas 8 dos 43 candidatos a vereadores do PT em Campo Grande”, publicou em suas redes sociais, junto com o vídeo, o irmão de Karla Cânepa, Thiago Cânepa.

Planilha do fundo partidário, divulgada por membros do partido, mostram que realmente somente oito candidatos receberam verbas do PT-MS. Contudo, o valor total doado é de RS 122.082,61, e não R$ 500 mil.

Os candidatos que receberam parcelas dessa quantia foram Ilmar Mamão (R$ 45.000), Professora Bartô (R$ 18.678), Camila Jara (R$ 17.714), Orlandinho Bancário (R$ 15.000), Professora Eugenia Portela (R$ 10.000), Professora Bene (R$ 10.000), Jaqueline Campos (R$ 2.690,61) e Kensy Kenidy (R$ 3.000).

O PT de Campo Grande doou R$ 158.864,77, valor que foi distribuído entre todos os candidatos, com exceção de Alberto Inácio. Já a doação de Kemp foi de R$ 226.679,1, os dois únicos candidatos a vereadores que não receberam parte da quantia foi Dr Ronaldo Costa e a Karla Cânepa.

 
Vídeo publicado por Thiago Cânepa - Reprodução
 

De acordo com Thiago Cânepa, a cena aconteceu dentro do comitê da candidata a vereadora e durou 40 minutos.

“É com muita tristeza, indignação e revolta que venho repudiar veementemente o deputado estadual e candidato a prefeito de Campo Grande, Pedro Kemp, por invadir, agredir, gritar, xingar, ameaçar e intimidar minha irmã”, publicou Thiago em suas redes sociais.

O irmão de Karla diz ainda que Kemp “invadiu o escritório dela com mais três homens” e que diversas vezes precisou ser segurado fisicamente por seus assessores.  

“Nós familiares estamos abalados, incluindo meus sobrinhos de 5 e 13 anos que choraram ao assistir os vídeos de sua mãe sendo agredida”, complementou.

Em nota de esclarecimento que Kemp divulgou à imprensa, ele disse que pediu desculpas à candidata, mas também que se sentiu injustiçado pelas ações de Karla Cânepa.

“A candidata procurou estabelecer no grupo da chapa proporcional um clima de desconfiança em relação a minha pessoa, colocando em dúvida minha conduta moral e questionando minha honestidade. Desde o início da campanha, veio reiteradamente fazendo falsas acusações a mim, a outras candidatas e a nossa candidata a vice-prefeita”.

Kemp alegou que tentou contato por telefone com Karla, mas sem sucesso. Por esse motivo, se dirigiu ao comitê da candidata.  

“Exaltei-me diante das más intenções da candidata, que reafirmava suas falsas acusações. Após feitos os esclarecimentos, inclusive que da parte dos recursos que me cabia opinar fiz a defesa da distribuição igual para todos, pedi desculpas a ela e a todos os presentes pela forma como reagi às suas acusações. Fui surpreendido 24 horas depois com esse vídeo editado e mal-intencionado, que omite meu pedido de desculpas e a conclusão da nossa conversa”, continuou.

O PT-Campo Grande também se pronunciou e disse que não apoia nenhum tipo de violência contra as mulheres.  

“Nesse sentido, se une ao pedido de desculpas que Pedro Kemp fez à candidata logo após a discussão, trecho que foi omitido do vídeo editado e amplamente divulgado nas redes sociais.

No pleito de 2020 o Partido dos Trabalhadores apresenta à sociedade uma chapa composta por mais de 50% de candidatas mulheres a vereadora, além da nossa vice-prefeita Eloisa”, disse a entidade, em nota.

“Estamos todas e todos inseridos em um contexto de machismo estrutural, e não vamos nos furtar a reconhecer nossos erros. Mas um único episódio não invalida toda uma trajetória na defesa dos direitos humanos das mulheres”, concluiu.

Karla Cânepa não se pronunciou em suas redes sociais sobre o ocorrido e a reportagem do Correio do Estado não conseguiu contato com a candidata até o fechamento desta matéria.

 
 

Felpuda


Tropas de choque ligadas a alguns vereadores estão agitadas que só nas redes sociais na tentativa de desbancar a concorrência das “chefias” que querem porque querem. Querem a cadeira maior da Câmara Municipal de Campo Grande. A da presidência.

Segundo políticos mais antenados, trata-se do “segundo turno” das eleições do dia 15 de novembro, só que com apenas 29 eleitores.