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CONFUSÃO

'Fogo amigo': Agressão verbal de candidato do PT vira caso de polícia

Candidata, que foi agredida, registrou boletim de ocorrência contra Pedro Kemp na tarde desta quinta
29/10/2020 17:11 - Flávio Veras


A candidata a vereadora de Campo Grande pelo PT, Karla Cânepa, registrou um boletim de ocorrência contra deputado estadual o candidato a prefeito de Campo Grande, pela mesma sigla, Pedro Kemp. 

O parlamentar foi filmado durante uma discussão com a candidata no comitê de campanha dela.  

A motivação da briga, foi a distribuição orçamentária da verba eleitoral do partido. Segundo Kemp, Karla o acusou, em um grupo de WhatsApp, de dividir o montante de forma desigual entre os candidatos a uma cadeira da Câmara Municipal da Capital.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Cânepa relata que enviou uma mensagem para um grupo do WhatsApp que pertence a candidatas a vereadoras do partido questionando explicações sobre as divisões do dinheiro empenhado nas campanhas pelo PT em Campo Grande.  

Ainda de acordo com o documento, a denunciante admite que em determinado momento da conversa, teria chamado Kemp de "demagogo".

“A vítima relata que alguém desse grupo, que ela afirma não saber quem é, teria enviado um ‘print’ dessa conversa para o autor, que então ligou para a vítima já bastante alterado e gritando, pedindo explicações, momento em que a vítima desligou o telefone. 

O autor ligou novamente, outra pessoa do comitê de campanha atendeu, e informou que a vítima estava em reunião. O autor teria desligado o telefone e falou que iria até o local”, relatou Cãnepa.  

Ainda de acordo com a candidata, no mesmo dia da ligação, Kemp foi até seu comitê, como mais três pessoas, porém era o único alterado.  

“O autor chegou ao comitê alterado e chamando a vítima de cínica. Além disso, no local haviam várias pessoas presentes  e todos pediam que ele fosse embora, mas o autor insistiu em fazer com que a vítima retratasse de tê-lo chamado de demagogo no intuito de pressioná-la a se retratar no grupo”, denuncia em outro trecho.  

Além disso, Cânepa afirma que o candidato a prefeito ainda teria pegado com força no seu braço, porém as lesões não deixaram marca. 

“Os fatos duraram cerca de 40 minutos e foi tudo gravado por uma pessoa integrante da reunião. A vítima apresentou um Pen Drive e cópias do print das mensagens enviadas”, finalizou Cânepa em depoimento.  

Leia abaixo entrevista do Correio do Estado com a candidata.

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A reportagem do Correio do Estado ouviu Karla Cânepa sobre toda a discussão que teve com seu colega de legenda. 

De acordo com Cânepa, o ápice desse imbróglio todo, foi ela questionar e querer investigar a forma de repartição do dinheiro destinado aos vereadores. 

“Eu me senti injustiçada e achei no meu direito de reivindicar e fiscalizar. Eu queria transparência e, por esse motivo, coloquei em um grupo interno, essa questão. Era para tudo ter sido resolvido internamente sem agressões, eu não queria que tivesse chegado a esse ponto. Quando chamei ele de 'demagogo', alguém printou só essa parte da conversa e mandou para ele. Quando Kemp me ligou alterado, eu desliguei o telefone porque estava em reunião e não queria ficar discutindo". 

Cânepa continuou seu relato ao Correio do Estado falando sobre a insistência do candidato em falar com ela. 

"Ele insistiu, e uma das meninas do meu coletivo atendeu e me disse que ele estava vindo aqui, eu respondi, está bem. Porém, Kemp já chegou em mim de forma agressiva, ao contrário das outras três pessoas que estavam com ele. Quando ele falou que estava no limite comigo e pediu para eu fazer uma retratação, eu neguei, foi quando ele ficou mais alterado ainda”, explicou. 

E complementou a informação dizendo “ninguém pode obrigar outra pessoa a fazer aquilo que o outro não quer, pois, ainda vivemos em uma democracia. Após minha negativa, ele ficou ainda mais nervoso foi quando ele segurou no meu braço com força, eu disse a ele para não encostar a mão em mim. Foi quando nós todos pedimos a ele para se retirar daqui, porém ele não nos ouviu.”

Em relação ao vídeo gravado por uma de suas assessoras e divulgado pelo seu irmão, Karla diz que ele não foi produzido de caso pensado, como muito até dentro da legenda estão falando.   

“Gravamos porque vimos o jeito em que ele estava e para nos prevenir. O candidato viu que estava sendo gravado, pois, a moça que fez o material avisou ele e, os assessores dele, também repassaram a informação. Meu irmão só publicou, porque ficou indignado, pois, se eu quisesses, teria divulgado terça (27), quando aconteceu, e não ontem (28). Novamente afirmo, queria que essa nossa discussão fosse enfrentada e até solucionada internamente, mas isso não aconteceu”, lamentou Cânepa.  

Repercussão na família

Segundo a candidata, para ela é difícil tocar no assunto, pois os filhos dela, bem como a mãe, ficaram assustados com a situação. “É delicado eu ficar falando desse assunto e, por esse motivo, demorei a dar entrevista. Minha mãe está muito triste com a situação, pois ela acredita no trabalho que nosso partido faz. Além disso, meus filhos estão indignados e assustados”, expressou. 

Apesar de ser militante do PT há 5 anos, Cânepa afirma que ela e Kemp não se conhecem e, por esse motivo, não nutrem amizade. No entanto, sempre se trataram de forma cordial. 

“Nunca fomos amigos, pois não o conheço pessoalmente, portando não posso dizer que essa atitude é da índole dele. Porém, mesmo sem conhecê-lo, eu fui voluntária na campanha do Kemp para deputado estadual em 2018, pois sempre tive nele muita admiração e por acreditar na história do meu partido no estado. É muito triste acontecer um caso desse dentro do PT, de esquerda e que tem nas suas bandeiras o direito das mulheres em todos os setores da sociedade e, principalmente na política. Fico indignada porque estou sendo julgada, não só pelos companheiros, mas também pelas companheiras, pois esperava mais solidariedade delas em relação a mim”, lamentou. 

E finalizou dizendo que “quando isso acontece dentro do nosso partido, todas se calam, tentam passar o pano e, o feminismo, fica seletivo”

 
 

Em nota enviada para a imprensa, Pedro Kemp se defendeu das acusações e afirmou que apenas tentou defender seu nome, em relação das declarações da candidata.

Nota na íntegra 

Em face de um vídeo gravado em torno de uma discussão interna envolvendo a condução da campanha pelo meu partido, tenho a esclarecer o seguinte:

Fui acusado pela candidata a vereadora Karla Cânepa de ser injusto com os candidatos a vereadores da nossa chapa e de promover a distribuição desigual dos recursos partidários, de forma a privilegiar uns em prejuízo dos demais.

A candidata procurou estabelecer no grupo da chapa proporcional um clima de desconfiança em relação a minha pessoa, colocando em dúvida minha conduta moral e questionando minha honestidade.

A candidata, desde o início da campanha, veio reiteradamente fazendo falsas acusações a mim, a outras candidatas e a nossa candidata a vice-prefeita. 

Quanto a mim, agrediu minha honra e minha trajetória, construídas ao longo de 40 anos de militância no movimento dos direitos humanos e de 20 anos de atuação parlamentar, sempre em defesa da justiça e da dignidade das pessoas, em especial dos mais pobres e injustiçados da sociedade.  

Fui escolhido consensualmente pelo Partido dos Trabalhadores como candidato a prefeito de Campo Grande e sempre tratei a todos os candidatos (as) a vereadores de forma fraterna e respeitosa. 

Ciente das acusações inverídicas e difamatórias da candidata, após tentativa frustrada de diálogo via telefone, avisei sua assessoria que iria ao seu encontro. 

Dirigi-me ao seu comitê eleitoral, local público e onde a mesma se encontrava com seus assessores, com o objetivo de esclarecer a verdade. 

Exaltei-me diante das más intenções da candidata, que reafirmava suas falsas acusações, pois durante toda minha vida pública, nunca aceitei injustiças. 

Após feitos os esclarecimentos, inclusive que da parte dos recursos que me cabia opinar fiz a defesa da distribuição igual para todos, pedi desculpas a ela e a todos os presentes pela forma como reagi às suas acusações. 

Fui surpreendido 24 horas depois com esse vídeo editado e mal-intencionado, que omite meu pedido de desculpas e a conclusão da nossa conversa.

Reitero meu compromisso com meus candidatos (as) de partido de prosseguir na disputa eleitoral, defendendo um projeto de uma Campo Grande mais humana, democrática e para todos e todas.   

 

Felpuda


Tropas de choque ligadas a alguns vereadores estão agitadas que só nas redes sociais na tentativa de desbancar a concorrência das “chefias” que querem porque querem. Querem a cadeira maior da Câmara Municipal de Campo Grande. A da presidência.

Segundo políticos mais antenados, trata-se do “segundo turno” das eleições do dia 15 de novembro, só que com apenas 29 eleitores.