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SAÚDE

Apesar do estigma, médica defende que uso de medicamentos pode auxiliar na perda de peso de pacientes

Fármacos são indicados quando o paciente tem dificuldade em adotar uma mudança no estilo de vida
25/02/2021 10:00 - Naiane Mesquita


Apesar da alta de casos de obesidade no Brasil, ainda há muita dúvida em relação aos tratamentos disponíveis para a melhora do quadro. 

O uso de medicamentos para o controle do peso, por exemplo, é cercado de preconceito.

De acordo com a médica Renata Antonialli, especialista em endocrinologia e metabologia, o estigma atrelado à obesidade ainda atrapalha o tratamento e a disseminação de informações sobre o assunto. 

“Apesar de tanta informação, ainda existem muitos julgamentos e preconceitos contra a pessoa com obesidade. Infelizmente, mais da metade da população brasileira está acima do peso, e essas pessoas geralmente são vistas como preguiçosas, sem força de vontade, desleixadas e sem determinação”, explica.

O preconceito acaba se estendendo também ao tratamento. “Temos de frisar que obesidade é uma doença crônica e, portanto, há indicação do tratamento medicamentoso em muitos casos. Isso de forma alguma é uma fraqueza e, sim, uma necessidade”, ressalta.

O estigma relacionado ao uso de medicamentos surgiu principalmente quando os primeiros remédios foram disponibilizados no mercado.  

Segundo Renata, atualmente não há diferenciação se um fármaco é mais forte ou fraco, por exemplo. 

“Na verdade, essa questão de mais forte ou mais fraco ficou na mente das pessoas por conta dos primeiros tratamentos medicamentosos que eram derivados de anfetaminas, em que o risco de dependência química era importante, além dos próprios sintomas de abstinência quando se interrompia o uso dessas medicações”, pontua. 

“Com os novos tratamentos, não há esse risco. Os medicamentos liberados no Brasil atualmente são seguros e o efeito sobre cada organismo é totalmente individual”, complementa.

Mesmo assim, a endocrinologista alerta que o uso de medicamentos para o emagrecimento deve ser feito com o acompanhamento de um médico especialista e nunca por conta própria. 

“É fundamental o acompanhamento de um endocrinologista durante o tratamento para o emagrecimento, pois, mesmo sabendo que as medicações disponíveis atualmente são seguras, elas podem acarretar em efeitos colaterais que precisam ser avaliados, além, é claro, da individualização de cada paciente, sabendo o momento certo de ajustar as dosagens, desmamar a medicação ou até mesmo trocar, quando há falha terapêutica”, ressalta.

Esses cuidados são capazes de evitar o efeito sanfona, quando uma pessoa emagrece e engorda em um curto período de tempo. 

“Tudo isso é necessário para evitar o efeito sanfona e manter a perda de peso sustentada”, frisa.

Mas mesmo quando há o ganho de peso, Renata explica que não é culpa do medicamento. 

“Com as medicações que dispomos atualmente, isso é difícil acontecer. O efeito sanfona, que muitos pacientes têm receio, normalmente se deve ao fato de que, quando o paciente atinge o peso esperado, ele para a medicação de forma abrupta, interrompe o acompanhamento médico, além de relaxar nas mudanças comportamentais, como a dieta e exercícios físicos. Portanto, o reganho de peso, na grande maioria dos casos, deve-se ao retorno dos maus hábitos que fizeram o paciente adoecer”, pontua.

Outro ponto importante é que o tratamento medicamentoso só é indicado quando há falha na adoção de um estilo de vida saudável, formado por uma alimentação balanceada e exercícios físicos cotidianos.