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ENTREVISTA

Diretora artística e roteirista da Globo, Patricia Pedrosa iniciou como estágaria de assistente de direção

Nome em ascensão na emissora, a diretora se destaca à frente de projetos como “Shippados” e “Amor e Sorte”
22/01/2021 10:57 - Caroline Borges/TV Press


Patricia Pedrosa quis fugir do óbvio ao conceituar a estética de “Shippados”, da Globo. A diretora artística buscou uma forma criativa de mostrar a trama pautada pelos relacionamentos através das redes sociais e dos aplicativos de namoro. Ao montar a estrutura na sua cabeça, Patricia optou por basear boa parte de suas pesquisas em um visual mais retrô. 

Eu acho que a estética mais retrô tem mais a ver com gosto, com querer e tentar seguir esse caminho. Acho que isso também deixa a série mais atemporal e é bonito de se ver. São personagens em contraponto às coisas dos dias de hoje, então, justamente por isso eu acho interessante ir a referências mais antigas. Eles são vintage; eles são analógicos”, defende.

Na Globo desde 2007, Patricia começou como estagiária de assistente de direção e hoje, pouco mais de 10 anos depois, é diretora artística e roteirista. 

Já dirigiu programas como “A Grande Família”, “Mister Brau” e “Chapa Quente”. Como diretora artística, ela assina também a série “Cine Holliúdy” e “Todas as Mulheres do Mundo”. 

Tive muitas pessoas que me apoiaram nessa jornada. Sempre estive cercada de profissionais muitos qualificados. Isso me dá segurança e ajuda a seguir”, valoriza Patricia, que também esteve recentemente à frente da direção da série “Amor e Sorte”. “Foi audacioso fazer um projeto desse porte de forma remota. Tive um misto de sensações durante todo o processo. Foi leve, intenso, divertido e cansativo”, completa.

P – De que forma as redes sociais foram uma inspiração estética para você?

R – A série é muito atual, ela fala muito sobre como a gente se relaciona nos dias de hoje. Vemos a relação desses personagens com a internet, a relação desses personagens com o outro e com eles mesmos nos dias de hoje. Os vídeos das redes sociais são muito de verdade porque foram filmados no calor do momento, retratam o que está acontecendo ali naquela hora. Não tem um pensamento de câmera, de direção para aquilo. A pessoa filma daquele jeito porque é a maneira que ela encontrou de filmar ali o que está acontecendo. É de uma grande naturalidade. Então, eu comecei a pensar em como eu poderia trazer isso para a série de uma maneira quase documental e fazer com que a direção não aparecesse. É feito de uma maneira mais orgânica e despretensiosa.

P – Qual foi seu maior percalço ao longo das gravações da série?

R – Com certeza foi conseguir encontrar o tom certo para essa comédia romântica, porque a gente está colocando esses atores em lugares que não costumamos vê-los. Às vezes, uma fala sai um pouquinho do tom que achamos que deveria ter e a gente volta e tenta encontrar esse lugar. Tentamos contar uma história da maneira mais natural possível para aproximar ainda mais o público desses personagens e dessa trama.

P – Como você chegou aos nomes da Tatá Werneck e do Eduardo Sterblitch para protagonizarem o projeto? 

R – Quando eu recebi o texto e li pela primeira vez, eu só consegui enxergar a Tatá fazendo essa personagem. O Silvio de Abreu também tinha falado da Tatá, assim como outras pessoas, então a gente não teve dúvidas de que ela seria a melhor escolha para esse papel. Depois, pensando no Enzo, me falaram muito do Edu Sterblitch e eu conhecia pouco o trabalho dele. Tinha visto algumas coisas dele no “Pânico”, no “Amor e Sexo”, em “Tá no Ar”, mas não conhecia tão a fundo o trabalho dele. Então, eu o convidei para uma leitura com a Tatá e foi ótima. Eu já saí dali pensando: “acho que temos o Enzo”. Depois, a gente fez um outro teste de câmera com os dois, numa cena do segundo episódio e ali foi quando confirmamos que era o casal. Não tivemos dúvidas.

P – Durante a fase mais intensa do isolamento social, você esteve à frente da direção de três episódios de “Amor e Sorte”. Como foi essa experiência de gravar remotamente?

R – Inicialmente, eu não via como isso ia dar certo. Não teria como fazer, mas o Jorge Furtado (autor) foi muito positivo o tempo todo e não nos deixou desistir. Tivemos muitas limitações, mas conseguimos entregar um material inédito de qualidade. A equipe de tecnologia conseguiu montar uma logística incrível. Eu conseguia, da minha casa, ter acesso ao que era gravado na casa dos atores. O diretor de fotografia conseguia apertar o “rec” da casa dele. Olha como era incrível. Tudo foi um desafio porque, além da gravação remota, a gente teve um período de gestação do projeto muito curto. Tivemos um mês de pré-produção. Nos primeiros dias, eu sofri muito por não estar junto dos atores. Mas foi uma experiencia intensa, divertida e cansativa. Foi importante para não parar de criar e fazer nesse período. 

P – Você é a diretora artística mais jovem da emissora. Como avalia sua evolução dentro da Globo?

R – Sinto que aqui o trabalho é feito num ambiente democrático e as pessoas são muito abertas a ideias, a novas formas de fazer. Para mim é um aprendizado diário. Desde que eu entrei aqui como estagiária até chegar à direção, eu não sinto como um peso. Eu acho que as encomendas vão chegando e eu vou embarcando nelas. Tenho pessoas ao meu lado que me apoiam e caminham junto comigo. Estamos cercados de profissionais muito qualificados. Isso me dá segurança e ajuda a seguir.