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CRÔNICA

Leia a crônica deste sábado da jornalista Theresa Hilcar, 17 de abril de 2021

No meio da emergência, pratiquemos a urgência do serviço e a urgência do amor pelos outros
17/04/2021 00:00 - Theresa Hilcar


Estou em frente ao computador tentando escrever a crônica semanal. Tentando porque ainda estou atônita. Acabei de fazer matéria sobre o Boletim da Covid 19, tarefa que desempenho três vezes por semana com dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde.

Os números sempre me assustam. Não obstante ostentar o primeiro lugar na lista de vacinação no País, a situação no Estado continua caótica. E o MS não está sozinho. Com raríssimas exceções, a maioria das cidades brasileiras vivem o colapso na saúde. Difícil ter inspiração numa hora dessas.

Adivinhando a minha aflição para enfileiras as palavras, recebo do querido amigo e sociólogo Paulo Cabral, um texto que cai como luva.  Percebo logo de cara uma incrível sintonia com o autor. A cada frase percebo   as semelhanças de pensamentos, presentes também nas minhas crônicas de Pandemia.  

Há quem diga que não existem coincidências. O que existe é o chamado “Efeito borboleta”, cujo bater de asas em um determinado local pode causar um tornado em outro diferente e distante. Talvez seja por isto eu tenha recebido e lido o texto. De acordo com esta trajetória, decido compartilhá-lo na íntegra. 

Quem escreve é Kaguta Museveni presidente de Uganda que, logo no início,  coloca o dedo na ferida:  "Deus tem muito trabalho, ele tem o mundo inteiro para cuidar. Ele não pode simplesmente estar aqui no Uganda, a cuidar de idiotas ...”. E segue com estocadas no mesmo tom: 

“Numa situação de guerra, ninguém pede a ninguém para ficar dentro de casa. Você fica dentro de casa por opção. De fato, se você tiver um porão, fica escondido lá enquanto as hostilidades persistirem.

 Durante uma guerra, você não insiste na sua liberdade. Você voluntariamente desiste dela em troca da sua sobrevivência. Durante uma guerra, você não se queixa de fome. Você sente fome e reza para que viva de novo para comer.

Durante uma guerra, você não discute sobre abrir as portas do seu negócio. Você fecha a sua loja (se tiver tempo) e corre pela sua vida.

Você reza para sobreviver à guerra para poder voltar ao seu negócio (isto, se não tiver sido saqueado ou destruído por um morteiro). Durante uma guerra, você fica grato por estar mais outro dia na terra dos vivos.

Durante uma guerra, você não se preocupa com o fato dos seus filhos não irem à escola. Você reza para que o governo não os aliste à força como soldados para serem treinados nas dependências da escola, agora transformadas em depósito militar. 

O mundo está atualmente em estado de guerra.  Uma guerra sem armas e balas. Uma guerra sem soldados humanos. Uma guerra sem fronteiras. Uma guerra sem acordos de cessar-fogo. Uma guerra sem um teatro de guerra. Uma guerra sem zonas sagradas.