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COMPORTAMENTO

Aos 58 anos, Iracy constrói paredes ao lado do marido

Orgulhosa do ofício, Iracy diz que aprendeu a ser pedreira colocando “a mão na massa” ao lado do marido, Getúlio
13/02/2020 07:00 - Naiane Mesquita, Ricardo Campos Jr


 

Para dona Iracy Cardoso dos Santos, a construção civil não é um lugar apenas de homens. “Aprendi no dia a dia, acompanhando e colocando a mão na massa, literalmente”, conta, sorrindo. Aos 58 anos, ela trabalha como pedreira em obras da cidade ao lado do marido, o também pedreiro Getúlio Valim dos Reis, 63 anos.  

Na lida todos os dias, o casal é funcionário de uma família proprietária de rede de postos de combustíveis de Campo Grande. Na manhã de ontem, ambos estavam construindo uma pequena edificação em um posto de gasolina. De longe era possível observar Iracy subindo na construção e usando a talhadeira para abrir passagem para os fios da parede.

Orgulhosa, ela faz questão de apontar para o espaço onde a troca de óleo é feita e diz com orgulho: “Está vendo aquele piso ali? Fui eu mesma que assentei”, conta.  

 
 

AMOR

Getúlio e Iracy Cardoso dos Santos se conheceram ainda jovens na cidade de Dourados. O rapaz foi para o Rio de Janeiro para trabalhar como taxista, depois foi para o interior de Mato Grosso, onde atuou como motorista de ambulância. “Eu já ajudei a fazer até uma cesárea, lá em Lacerda”, relembra o pedreiro.  

Com a experiência de quem seguiu muitos caminhos, Getúlio relembra que já viu a vida e a morte de perto, sempre trabalhando.  “Fiz muita coisa nessa vida. Trabalhei até em um necrotério na década de 1980, lavando corpo de gente”.

O ofício de pedreiro ele aprendeu desde cedo, com apenas 13 anos.  Com uma memória de dar inveja, Getúlio não sabe apenas onde começou a bater cimento, mas também o dia em que casou com seu grande amor, Iracy.  Companheiros para todas as horas, o jeito de ganhar dinheiro e ficar mais próxima do marido foi Iracy aprender com Getúlio o ofício de pedreira.

Nem mesmo o olho de vidro, que Getúlio precisou se acostumar após um acidente de trabalho, fez com o que casal deixasse a alegria de lado. “Eu estava fazendo um madeiramento e um dos pregos furou o meu olho”, conta.  Apesar dos percalços, o casal não deixou de lado a esperança. Além do orgulho que mantêm pela profissão, ambos fazem questão de citar o sucesso dos filhos. “O mais velho tem 39 anos, formado em Administração.

O mais novo tem 35 e é doutor em Agronomia. Foi uma luta, porque o mais novo nasceu com lábio leporino e nem o céu da boca tinha. Precisou fazer uma cirurgia para reconstruir”, recorda Iracy. 

 
 

Felpuda


As pré-candidaturas bizarras estão se espalhando nas redes sociais, nos perfis de quem acredita que esse tipo de “campanha eleitoral” poderá resultar em votos e até levar à conquista de uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande. Se antes isso era visto apenas no horário eleitoral na TV, agora está se espalhado como erva daninha nas redes. Como diria vovó: “Esse povo ainda se acha!” Afe!