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PANDEMIA

Segunda onda em Mato Grosso do Sul pode ter tido relação com nova variante

Secretário de Saúde diz que Capital investiga amostras de casos com características diferentes
23/02/2021 09:00 - Ana Karla Flores, Gabrielle Tavares


A alta de casos e mortes por Covid-19 que ocorreu em novembro do ano passado em Mato Grosso do Sul pode ter relação com a nova variante da doença. 

Segundo o secretário de Saúde de Campo Grande, José Mauro de Castro Filho, diversas amostras estão sendo investigadas na Capital em razão de características diferenciadas, que levaram a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) a suspeitar que a mutação do vírus seja a responsável pelo crescimento apresentado no fim de 2020.  

Filho afirma que as investigações de amostras na Capital são para confirmar se o pico de contaminação da doença pode estar relacionado à nova variante, já que apresentou características diferentes em relação a casos anteriores, como faixa etária e grau de contágio.

“Nós tivemos jovens com maior contaminação, letalidade e transmissão, o que difere da primeira fase, então provavelmente tivemos o contato com uma nova variante e estamos investigando”, detalha Filho.

A Sesau informou que são 57 amostras e que os casos referem-se apenas a notificações com comportamento viral irregular. A Pasta explica que os casos foram notificados desde março de 2020 e não são recentes.  

“As variantes são mais comuns do que se anuncia, elas acontecem e, pensando na questão epidemiológica, é muito difícil conter, assim como foi muito difícil conter a transmissão da Covid-19. Inevitavelmente a gente deve ter casos de variantes”, explicou.

Além disso, os casos citados pelo secretário não serão enviados para investigação pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, pois não tiveram os critérios necessários para encaminhamento. Os casos só foram notificados por conta da idade dos pacientes e de uma maior propagação do vírus. 

“Isso é observação epidemiológica, não há comprovação de que de fato seja uma nova variante”, detalhou a Sesau em nota.

De acordo com a infectologista Mariana Croda, as mutações são sempre esperadas em vírus respiratórios, entretanto, a nova variante brasileira, a P.1, não tem alterações específicas e, por isso, ainda não há muitos estudos disponíveis. 

“O que temos de evidência é que ela é mais transmissível e com isso atinge um número maior de pessoas. Ainda não tem estudos mostrando, não sabemos se é pelo grande número de pessoas infectadas apenas”.

A infectologista declara que, como não há uma vigilância virológica nas fronteiras estaduais, é provável que o vírus de fato já circule no Estado.

“Como as fronteiras e barreiras estaduais estão abertas, não há vigilância para determinar o perfil genético do vírus e barrar a entrada no Estado”.

Croda complementa que, por se tratar de uma mutação nova, também não há estudos a respeito da eficácia das vacinas. “Não há estudos com as vacinas disponíveis no Brasil que assegurem a mesma eficácia, mas acredita-se, sim, que elas sejam eficazes”.

INVESTIGAÇÃO

Mato Grosso do Sul investiga três casos suspeitos da cepa P.1, que surgiu inicialmente em Manaus (AM). Os casos são de Campo Grande, Corumbá e Fátima do Sul e já foram encaminhados para análise do Instituto Adolfo Lutz.  

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), ainda não houve resultado sobre o sequenciamento genético delas e não há prazo para quando o Estado receberá uma resposta sobre a situação.

No caso do suspeito de Campo Grande, diferentemente do primeiro descoberto em Mato Grosso do Sul, que foi uma pessoa de Corumbá que viajou para o Amazonas, o paciente da Capital não esteve no estado da Região Norte do País. A Sesau não soube informar, porém, se ele havia viajado para outra unidade federativa que já registrou casos com a variante.

De acordo com estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a variante surgiu em Manaus em dezembro e disseminou-se com rapidez. A nova cepa tem mutações importantes na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas. No Amazonas, o sistema de saúde entrou em total colapso, com falta de leitos e até de oxigênio nos hospitais após a disseminação dessa variante.

Em todo o Brasil, ao menos 12 estados já confirmaram casos de infecção pela variante brasileira, são eles: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraíba, São Paulo, Roraima, Ceará, Piauí, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

BOLETIM

A semana epidemiológica que foi encerrada no sábado mostrou que Mato Grosso do Sul se mantém em uma média de casos alta, porém estável. De acordo com o boletim divulgado ontem, do dia 14 ao dia 20 foram confirmados 4.987 casos da doença, enquanto na semana anterior, que corresponde aos dias 7 a 13 de fevereiro, foram 4.985 confirmações.

Em relação ao contágio, entretanto, houve um pequeno aumento ontem em relação ao que vinha sendo registrado. Nesta segunda-feira, o contágio era de 0,93, e nos sete dias anteriores esse número era de 0,92. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pede que esse valor fique abaixo de um para que a contaminação pela doença seja reduzida, e quanto mais longe desse valor melhor.

No boletim de ontem foram confirmados mais 429 casos e 20 mortes, com isso a média móvel de episódios da doença ficou em 722,3 por dia nos últimos sete dias, já em relação aos óbitos são 11,7 diários. A média móvel de casos apresentada ontem é a maior dos últimos 21 dias no Estado, o que mostra uma elevação de ocorrências em Mato Grosso do Sul.

Em relação às mortes, porém, o montante da semana foi menor que o registrado desde o começo deste ano. O acumulado da semana que terminou no sábado foi de 83 mortes, enquanto nas demais o número ainda não havia ficado abaixo de 100. Mas o período que começou no domingo já tem 26 mortes, o que pode indicar que a semana epidemiológica que estamos possa ser mais letal que a anterior.

O número de pessoas hospitalizadas com Covid-19 também subiu: ontem 512 pessoas estavam internadas com casos confirmados da doença no Estado, das quais 256 estavam em leitos clínicos (184 públicos; 72 privados) e 256 em leitos de UTI (191 públicos; 65 privados).

Mato Grosso do Sul já tem 175.973 casos confirmados e 3.224 óbitos pela doença desde o início da pandemia.