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PANDEMIA

Cresce procura de voluntários para teste de vacina chinesa em Mato Grosso do Sul

Com o aumento no número de casos da Covid-19, profissionais de MS voltaram a ter interesse em participar do estudo sobre a Coronavac
24/11/2020 09:10 - Ana Karla Flores


A alta no número de casos do novo coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso do Sul nas últimas semanas fez profissionais aptos a participar de estudos clínicos voltarem a se candidatar para os testes da vacina chinesa Coronavac.

Segundo a infectologista Ana Lúcia Lyrio, há em torno de 160 voluntários que já participam do estudo da Coronavac, vacina chinesa produzida em parceria com o Instituto Butantan.  

De acordo com Ana Lúcia, no início das aplicações da vacina em Mato Grosso do Sul, realizadas no fim de outubro, a adesão não foi muito grande.  

O imunizante desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac já havia gerado uma série de discussões no Brasil. Por ser produzido na China, país onde o primeiro caso de coronavírus foi identificado, houve uma desconfiança sobre a eficácia da vacina.  

Os voluntários no Estado só começaram a aparecer novamente em novembro, mês que registrou a maior alta de casos do novo coronavírus, desde setembro. “A procura está grande novamente. Acho que tem a ver com o risco de exposição, porque aumentou o número de casos e aumentou a procura”, explica.

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A vacina Coronavac está na terceira fase de estudos clínicos em Mato Grosso do Sul. A pesquisadora explica que a primeira dose ainda está sendo aplicada e a segunda está em andamento. Segundo Lyrio, a demora é decorrente dos agendamentos de cada voluntário, mas tudo está correndo como planejado.  

Os interessados em participar do teste devem ser todos profissionais da rede pública ou privada de saúde e não podem ter nenhuma comorbidade.  

Ana Lúcia detalha que mesmo faltando muitas pessoas para atingir o número de voluntários necessários, cerca de 1 mil, o cadastro não será aberto para outros profissionais que não sejam da área de saúde. “Neste estudo não é possível. Ele tem cadastro no Comitê de Ética Nacional [Conep] e por isso não pode ser alterado”, frisa.  

Fase de testes

Nesta segunda-feira (23), o Instituto Butantan informou em coletiva de imprensa que o número mínimo de voluntários da vacina que foram infectados pela Covid-19 foi atingido no País. Com isso, é possível iniciar a fase final de testes da vacina, que permite a abertura do estudo e a primeira análise interina dos resultados do imunizante.

A última fase de estudo divide os voluntários em dois grupos iguais: os que tomaram o placebo e os que tomaram o imunizante. Então será analisado quantos voluntários foram infectados em cada grupo, sendo assim possível identificar a eficácia do medicamento.  

Para que essa análise seja realizada, foi necessário que pelo menos 61 casos confirmados por coronavírus fossem detectados entre os 13 mil voluntários do País e, ao todo, foram infectados 74 pessoas do estudo.  

Caso surja alguma dúvida nesta fase de estudos, a análise deve ter uma segunda etapa, chamada de análise primária. Este estágio da pesquisa é realizado quando o número de infectados pela doença chega a 154 casos entre os voluntários. De acordo com o Butantan, a previsão é que os resultados saiam na primeira quinzena de dezembro. Com o resultado, as análises serão encaminhadas para o Comitê Internacional controlador do estudo, que vai validar  a resolução e remeter às Agências Nacionais de Vigilância Sanitária (Anvisa) da China e do Brasil. A vacina, segundo o Butantan, pode ser aprovada ainda em dezembro.  

Polêmica  

Além das desconfianças sobre a eficácia da vacina chinesa, ela também é fonte de atrito político entre o atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido). Doria defende que a Coronavac será a primeira vacina a ser disponibilizada em grande escala no Brasil, por estar na última fase de estudos clínicos. Em contrapartida, o presidente já fez uma série de ataques contra a vacina e comemorou quando a Anvisa suspendeu os testes após a morte de um dos voluntários, confirmada posteriormente como um caso de suicídio e não em decorrência da vacina.  

Boletim

De acordo com boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul desta segunda-feira (23), em 24 horas foram registrados 503 novos casos confirmados por Covid-19, totalizando 92.970 contaminações no Estado e cinco mortes. Campo Grande foi o município com mais casos, 345, seguido de Dourados, com 28 casos, e Chapadão do Sul, com 14. A média móvel de contágio está em 0,5%.

 
 
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